O Ministério Público do Rio de Janeiro voltou a pedir a prisão preventiva do vereador afastado de São João de Meriti Ernane Aleixo (PL), investigado por suposta colaboração com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). O novo pedido aponta possível descumprimento das medidas cautelares determinadas pela Justiça após o parlamentar participar de um encontro com políticos e empresários do município na semana passada.
Ernane foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Muro de Favores, investigação que apura uma possível relação entre agentes públicos e integrantes da organização criminosa. Em janeiro deste ano, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro permitiu que o vereador respondesse ao processo em liberdade, mas determinou seu afastamento da função pública e das prerrogativas do cargo, mantendo apenas o direito à remuneração.
Para o Ministério Público, a participação do vereador no encontro representa um indício de que ele estaria retomando atividades políticas ou institucionais, o que poderia contrariar a decisão judicial. O órgão sustenta que a determinação de afastamento não se restringe à presença em sessões ou votações da Câmara Municipal, mas alcança o exercício das atribuições e prerrogativas vinculadas ao mandato.
A investigação que deu origem à operação começou após a prisão de Marlon Henrique da Silva, conhecido como Pagodeiro. Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular do traficante teriam indicado uma relação entre o grupo criminoso e Ernane.
Entre os diálogos analisados estão conversas sobre o possível empréstimo de equipamentos para a construção de barricadas. Em outro trecho, uma mensagem atribuída ao vereador menciona que o uso de máquinas da prefeitura poderia provocar problemas, mas aponta a possibilidade de disponibilizar um martelete.
A investigação também reuniu áudios nos quais integrantes do grupo criminoso citariam supostos contatos com o parlamentar. De acordo com a polícia, Ernane teria oferecido apoio logístico e operacional em troca de vantagens financeiras e políticas.
Outro ponto investigado envolve a indicação de pessoas para vagas de emprego. Mensagens atribuídas ao vereador mencionam oportunidades em áreas como enfermagem, funções técnicas, maqueiro e recepção, principalmente em unidades hospitalares.
Mesmo afastado das funções, Ernane continua recebendo a remuneração mensal de aproximadamente R$ 18 mil. Como está impedido de participar das atividades legislativas, solicitou à presidência da Câmara o abono das faltas. O pedido foi aceito sob o entendimento de que o parlamentar está temporariamente impedido de exercer suas funções por determinação judicial.
A defesa nega que o encontro mencionado pelo Ministério Público tenha caráter político. Segundo os advogados, Ernane participou de um almoço para o qual foi convidado pelo prefeito de São João de Meriti, com a presença de empresários, e afirma que a reunião não teve relação com as atividades exercidas na Câmara.
Os advogados também sustentam que não houve violação das medidas cautelares e afirmam que o vereador permanece à disposição da Justiça. Nesta quarta-feira (12), Ernane participou de uma audiência no Fórum de São João de Meriti, segundo a defesa.





Comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo.
Seja o primeiro a comentar!