Ortopedista é preso após polícia encontrar medicamentos vencidos em clínica de Duque de Caxias

Operação da Decon também resultou na prisão de uma secretária por suspeita de fraude processual após tentativa de descartar embalagens de medicamentos


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Um médico ortopedista foi preso em flagrante nesta segunda-feira (20) durante uma fiscalização em uma clínica localizada no Centro de Duque de Caxias, após policiais encontrarem medicamentos com prazo de validade vencido utilizados no estabelecimento. A ação foi realizada pela Delegacia do Consumidor (Decon), que apura denúncias sobre supostas irregularidades no atendimento prestado aos pacientes.

Segundo a investigação, o ortopedista Renan Leal foi conduzido à delegacia e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento. Ele responderá pelo crime contra as relações de consumo. Após o pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil, o profissional foi liberado para responder ao processo em liberdade.

Durante a operação, uma secretária da clínica também foi presa em flagrante. De acordo com a polícia, ela tentou retirar os rótulos de caixas de medicamentos e descartá-las no lixo no momento em que os agentes chegaram ao local. A ação, no entanto, foi presenciada por uma policial civil que participava da operação disfarçada de paciente. Os medicamentos foram apreendidos, e a funcionária foi autuada por suspeita de fraude processual.

O delegado Wellington Vieira, titular da Decon, afirmou que o uso de medicamentos vencidos representa risco à saúde dos pacientes, podendo comprometer a eficácia dos tratamentos e provocar contaminações. A investigação busca identificar se houve utilização desses produtos durante atendimentos realizados na clínica.

As apurações tiveram início após denúncias relacionadas ao atendimento prestado ao paciente Wagner, que afirma ter desenvolvido graves complicações de saúde após procedimentos realizados no local. Segundo o relato, ele perdeu gradativamente a força do lado esquerdo do corpo, passou a apresentar tremores na mão esquerda e enfrenta limitações motoras que o impediram de continuar trabalhando como eletricista.

Ainda conforme o paciente, ele está afastado das atividades profissionais há cerca de um ano, recebe benefício do INSS e não consegue mais dirigir em razão do quadro clínico. O caso é investigado para apurar se há relação entre os procedimentos realizados e as sequelas apresentadas.

Durante a investigação, a Decon também apura informações sobre a atuação profissional do médico. Conforme a polícia, o paciente descobriu posteriormente que a especialidade registrada do ortopedista é voltada ao tratamento de joelho, embora ele também realizasse procedimentos relacionados à coluna e à região lombar. A polícia informou ainda que analisará conteúdos publicados nas redes sociais do profissional que mostram diferentes tipos de procedimentos médicos.

O delegado Wellington Vieira pediu que outros pacientes que acreditam ter sido prejudicados procurem a Delegacia do Consumidor ou qualquer unidade policial para registrar ocorrência e colaborar com as investigações.

A Decon informou que deverá encaminhar o caso ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), para avaliação da conduta profissional e eventual abertura de procedimento administrativo. Até o momento, segundo a polícia, o médico permanece com registro profissional ativo.

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