Pesquisa revela diferentes configurações familiares entre participantes de projeto na Baixada Fluminense

Levantamento com 294 participantes de Nova Iguaçu e Duque de Caxias aponta presença de famílias monoparentais, extensas e com até quatro gerações sob o mesmo teto


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Uma pesquisa realizada com participantes do Projeto Cultura na Faixa identificou diferentes formas de organização familiar entre moradores de territórios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias. O levantamento analisou as informações de 294 participantes inscritos até maio de 2026 e apontou diferenças importantes entre os dois locais, além da predominância de famílias com renda de até dois salários mínimos.

No núcleo Ana Clara, em Duque de Caxias, a configuração monoparental aparece com maior frequência. Das 107 famílias analisadas, 54, o equivalente a 50,5%, são formadas por apenas um dos responsáveis e seus dependentes. Desse total, foram identificadas 49 mães que vivem sozinhas com os filhos, dois pais solo e três avós responsáveis individualmente pela criação dos netos.

Entre as mães solo do núcleo, 14 famílias têm renda de até meio salário mínimo. Outras 23 estão na faixa acima de meio até um salário mínimo, enquanto oito declararam renda entre um e dois salários. O levantamento também registra que 38 dessas mulheres recebem Bolsa Família.

A pesquisa ressalta, entretanto, que viver em uma família monoparental não significa, isoladamente, estar em situação de vulnerabilidade. As condições econômicas e sociais relacionadas à renda, trabalho, gênero, raça e acesso às políticas públicas podem influenciar o nível de exposição dessas famílias a dificuldades.

Famílias extensas ganham espaço em Nova Iguaçu

No Núcleo Geneciano, em Nova Iguaçu, o cenário apresenta maior diversidade nos arranjos familiares. Dos 187 participantes analisados, 21,3% vivem em famílias monoparentais, enquanto 33,7% integram núcleos formados por pai ou padrasto, mãe e filhos.

Os outros 45% estão inseridos em estruturas familiares extensas ou plurais. São casas onde diferentes parentes dividem o mesmo espaço e também responsabilidades relacionadas à criação e aos cuidados com crianças e adolescentes.

O levantamento encontrou situações envolvendo avós, tios, irmãos e outros parentes. Também foram registrados casos de irmãos que vivem juntos e criam seus respectivos filhos, além de crianças e jovens que moram com avós ou tios, sem os pais biológicos.

Entre as famílias monoparentais de Geneciano, foram identificadas 33 mães solo, dois pais solo e cinco crianças criadas exclusivamente pelas avós. A pesquisa também apontou sete famílias em que mulheres convivem simultaneamente com idosos e crianças, configuração relacionada ao conceito de “geração sanduíche”.

Renda e redes de proteção

A condição econômica aparece como elemento comum nos dois territórios. Em Geneciano, 96,2% das famílias analisadas têm renda de até dois salários mínimos. Mais da metade, 53%, está inscrita no Bolsa Família.

A faixa entre mais de meio e até um salário mínimo foi a mais frequente no núcleo, reunindo 73 das 187 famílias. Outras 32 declararam renda de até meio salário mínimo, enquanto 60 estavam entre um e dois salários.

Para a pesquisa, os diferentes arranjos mostram que a realidade familiar nas periferias não se limita ao modelo tradicional formado por pai, mãe e filhos. Redes compostas por parentes, vizinhos, amigos, organizações comunitárias e serviços públicos podem exercer papel importante no cuidado, na alimentação, na moradia e no acesso a direitos.

Nesse contexto, equipamentos como CRAS, escolas, unidades de saúde e programas de transferência de renda fazem parte da rede de proteção que pode apoiar essas famílias.

O levantamento foi elaborado pela Assessoria de Pesquisa Social do Cultura na Faixa, com informações fornecidas pelos participantes ou responsáveis, no caso de menores de idade. O projeto é desenvolvido pela ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), por meio de convênio com a Transpetro. A análise considera os familiares que vivem na mesma residência e suas relações de parentesco.

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