O Poço Bento de São José de Anchieta, em Piedade, Magé, será oficialmente elevado a Santuário Diocesano de São José de Anchieta neste domingo (23). A celebração será realizada às 11h e presidida pelo bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado. A cerimônia deverá reunir sacerdotes, diáconos, autoridades, moradores e fiéis de Magé e de outras cidades.
A transformação amplia a importância do local para o turismo religioso e cultural da região. Para Magé, o reconhecimento também representa uma oportunidade de valorizar um patrimônio ligado à história do município e atrair visitantes interessados na trajetória de São José de Anchieta, na religiosidade popular e na memória da presença jesuítica no território fluminense.
Durante a solenidade, o pároco de Magé, padre Leonardo Tassinari Resende, será nomeado primeiro reitor do novo santuário. A elevação ocorre após séculos de tradição de peregrinação e devoção em torno do Poço Bento, cuja história está associada à passagem de Anchieta pela região.
De acordo com o Livro do Tombo da Paróquia, o missionário teria feito surgir uma fonte de água após bater sua bengala no chão durante uma pregação. A tradição preservada pela comunidade conta que o episódio ocorreu em um período de seca e em uma região marcada pela presença de águas salobras, o que teria reforçado o significado atribuído à nascente.
O relato se tornou parte da memória religiosa de Piedade e atravessou gerações. O local passou a receber orações e peregrinações, enquanto devotos passaram a associar as águas do Poço Bento a graças alcançadas.
A importância do espaço também aparece em registros históricos. Em 17 de junho de 1940, o proprietário das terras, identificado como Augusto, comunicou ao pároco Pedro Luiz Arnaud a intenção de doar o Poço Bento à Matriz de Nossa Senhora da Piedade por meio de escritura pública. Na mesma ocasião, também manifestou a intenção de ceder uma área para a construção de uma capela.
Outro momento marcante ocorreu em 5 de abril de 1964, quando o altar e a cruz instalados ao lado do poço receberam uma bênção solene. A cerimônia foi presidida pelo então Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, com participação do Cardeal Dom Jaime Câmara, então arcebispo do Rio de Janeiro, e de Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, bispo da Diocese.
A celebração reuniu ainda representantes diplomáticos da Espanha e de Portugal, autoridades civis e militares, sacerdotes e fiéis de diferentes localidades. Em 1981, Frei Francisco Battistini construiu a igreja dedicada a São José de Anchieta, então recentemente beatificado, mas já conhecido popularmente como “Apóstolo do Brasil”.
O reconhecimento do Poço Bento ultrapassa a dimensão religiosa. Em maio de 2025, o espaço foi declarado Patrimônio Cultural, Histórico e Religioso do Estado do Rio de Janeiro pela Lei Estadual nº 10.768. A medida se soma a outros reconhecimentos relacionados à preservação da área e reforça sua importância como patrimônio material, histórico e cultural.
A canonização de São José de Anchieta, em 2014, também contribuiu para ampliar a relevância do local como destino de turismo religioso. A trajetória do jesuíta, além da atuação missionária, está ligada aos primeiros processos de educação no Brasil, com participação na criação e organização de colégios jesuítas e atividades de ensino e catequese.
A elevação do Poço Bento a santuário começou a ganhar forma mais concreta em 2026. Em junho, o local recebeu o Cardeal Dom Orani João Tempesta para uma missa pelas comemorações dos 80 anos da Diocese de Petrópolis. Dois meses depois, durante a primeira Caminhada e Cicloturismo Diocesano da Fé, Dom Joel anunciou oficialmente a decisão de transformar o espaço em santuário.
Agora, a celebração deste domingo formaliza essa nova etapa. A expectativa é que o reconhecimento fortaleça as peregrinações e contribua para inserir Magé em roteiros de turismo religioso, histórico e cultural.
A cerimônia de elevação será realizada no Poço Bento de São José de Anchieta, em Piedade, Magé, com entrada gratuita. A celebração começa às 11h e será conduzida por Dom Joel Portella Amado, bispo diocesano de Petrópolis.





Comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo.
Seja o primeiro a comentar!