A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (21) a Operação Preço do Poder para investigar um suposto esquema de corrupção, extorsão e compra de apoio político dentro da Câmara Municipal de Japeri, na Baixada Fluminense. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo a sede do Legislativo municipal.
A investigação aponta que vantagens financeiras e cargos comissionados teriam sido oferecidos a vereadores em troca de apoio político. Para a população de Japeri, o caso envolve diretamente o funcionamento do Legislativo municipal e decisões que podem afetar a administração pública, além de levantar suspeitas sobre o uso da estrutura pública para interesses políticos particulares.
Segundo a Polícia Civil, o presidente da Câmara, Rogério Gomes Castro, conhecido como Rogério RR, é apontado como um dos principais articuladores da estrutura investigada. A suspeita é de que, a partir de abril deste ano, ele tenha buscado formar maioria entre os vereadores por meio da oferta de cargos e vantagens.
Entre as hipóteses investigadas está a existência de funcionários fantasmas. De acordo com as apurações, vereadores que aderissem ao grupo político poderiam indicar pessoas para cargos comissionados, com salários superiores a R$ 10 mil mensais, sem a efetiva prestação dos serviços correspondentes. A utilização da estrutura administrativa da Câmara para viabilizar essas vantagens também está sob investigação.
Outro ponto central da operação é uma suposta oferta de R$ 400 mil ao vereador Mateus Coutinho Ferraz para que ele permanecesse alinhado ao grupo político liderado pelo presidente da Câmara. Mensagens analisadas pelos investigadores teriam registrado conversas sobre dificuldades financeiras do parlamentar e pedidos de ajuda.
Em uma das conversas, Mateus teria solicitado R$ 14 mil a um assessor e relatado que estava sendo pressionado por um credor. Em outro momento, segundo a investigação, o vereador teria mencionado uma oferta de R$ 400 mil para permanecer ao lado de Rogério. A polícia busca esclarecer se algum valor chegou a ser efetivamente pago.
De acordo com reportagem de João Boueri, da Rádio BandNews FM Rio, Mateus Coutinho Ferraz integrava a base política da prefeita Fernanda Ontiveros e participava de um grupo de WhatsApp ligado ao governo municipal. Após a suposta oferta financeira, segundo a reportagem, o vereador teria deixado o grupo e mudado seu posicionamento político.
A investigação também relaciona a suposta negociação ao processo político que resultou na abertura de um procedimento para afastar a prefeita. Ainda conforme a reportagem da BandNews FM Rio, o procedimento foi aprovado na Câmara por oito votos a três, com voto favorável de Mateus Coutinho Ferraz. A polícia apura se houve relação entre a mudança de posicionamento e as vantagens que teriam sido oferecidas.
Além dos dois vereadores, também estão entre os investigados um servidor comissionado apontado como possível intermediador das negociações e um assessor parlamentar. A operação busca celulares, computadores, tablets, documentos e mídias de armazenamento que possam ajudar a identificar a dinâmica das supostas negociações e eventual participação de outras pessoas.
Os materiais recolhidos serão submetidos à análise pericial. A Polícia Civil ainda investiga a origem das vantagens, a eventual existência de funcionários fantasmas e se houve pagamento efetivo dos valores mencionados nas conversas.
As suspeitas permanecem sob investigação e não representam, neste momento, condenação dos envolvidos.





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