A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um suposto esquema de manipulação de eventos específicos em partidas da Série A do Campeonato Carioca para favorecer apostadores em plataformas de apostas esportivas. Diferentemente da manipulação de resultados, o foco da investigação é a chamada microaposta, modalidade em que os apostadores tentam prever acontecimentos isolados da partida, como cartões amarelos, escanteios, faltas ou impedimentos.
Um dos casos analisados pela Delegacia do Consumidor (Decon) envolve a partida entre Portuguesa e Nova Iguaçu, disputada em 7 de fevereiro, pela sexta rodada da Taça Guanabara. Segundo a investigação, o lateral Luiz Gustavo, que defendia a Portuguesa na ocasião, e o zagueiro Sidney Pages, do Nova Iguaçu, são suspeitos de terem recebido cartões amarelos de forma proposital para beneficiar um grupo de apostadores.
De acordo com a Polícia Civil, centenas de apostas de baixo valor foram registradas em um curto período de tempo, todas prevendo que os dois atletas seriam advertidos durante o confronto. As apostas somaram cerca de R$ 38 mil, enquanto os prêmios pagos teriam alcançado aproximadamente R$ 253 mil.
Padrão de apostas chamou a atenção
Segundo o delegado responsável pelo caso, o alerta não surgiu em razão de um grande prêmio isolado, mas do comportamento considerado atípico identificado pelos sistemas de monitoramento das apostas esportivas.
Os investigadores verificaram uma concentração de centenas de apostas semelhantes realizadas em um intervalo reduzido de tempo, todas relacionadas ao recebimento de cartões amarelos pelos mesmos jogadores. Além do volume, também estão sendo analisados o momento em que as apostas foram efetuadas e o perfil dos apostadores.
A partir desses indícios, o sistema de monitoramento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) identificou uma possível irregularidade e comunicou o caso às autoridades, dando início à investigação criminal.
Buscas e depoimentos
Na última segunda-feira (6), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra os dois atletas investigados.
Luiz Gustavo foi conduzido para prestar depoimento e negou qualquer envolvimento no suposto esquema. Em um vídeo publicado nas redes sociais e posteriormente removido, o jogador afirmou que nunca participou de fraude e declarou que “não tem culpa se as pessoas apostam” em seu desempenho.
Já Sidney Pages não foi localizado pelos agentes durante a operação.
As investigações continuam para identificar os responsáveis pelas apostas e apurar a existência de outros envolvidos, incluindo possíveis intermediários e financiadores do suposto esquema.
Em nota, a Portuguesa informou que Luiz Gustavo foi desligado do clube em fevereiro, após a diretoria tomar conhecimento da investigação. A equipe afirmou ainda que adotou as medidas cabíveis e colocou-se à disposição das autoridades para colaborar com o andamento do caso.





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