Dois homens suspeitos de integrar o grupo criminoso liderado por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, foram presos pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) no bairro Valverde, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a investigação, os suspeitos atuavam na cobrança de valores de comerciantes da região, mediante intimidação e exigência de pagamentos em dinheiro.
Os presos foram identificados como Bruno da Silva Ribeiro, conhecido como “Di Porcão”, e Marcus Vinícius Tibúrcio Dionisio, chamado de “GTA”. De acordo com a Polícia Civil, os dois desempenhavam funções distintas durante as cobranças: Bruno abordava os comerciantes, enquanto Marcus Vinícius observava a movimentação e dava cobertura ao comparsa.
Durante a ação, os agentes apreenderam uma pistola calibre .40 com numeração suprimida em posse de Marcus Vinícius. Com Bruno, os policiais encontraram R$ 1,9 mil em dinheiro.
As prisões fazem parte das ações de combate à atuação de grupos criminosos na Baixada Fluminense, especialmente às práticas de extorsão contra trabalhadores e comerciantes.
Investigação mira estrutura do Bonde do Varão
Juninho Varão é apontado por investigações da Polícia Civil, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Federal como líder do grupo conhecido como Bonde do Varão. A organização é investigada por crimes como constituição de milícia privada, extorsão e lavagem de dinheiro.
Segundo as apurações, o grupo atua principalmente em Nova Iguaçu e mantém influência em áreas de Queimados e de outros municípios da Baixada Fluminense. As autoridades atribuem à organização práticas de intimidação e violência para exercer controle territorial e explorar atividades econômicas nas áreas sob sua influência.
Entre as atividades investigadas estão cobranças ilegais de moradores e comerciantes, exploração de serviços de internet, comercialização de gás e outras formas de extorsão.
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ, divulgada em 2024, apontou que o Bonde do Varão teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões entre 2022 e 2023.
Expansão após mudanças no cenário das milícias
De acordo com as investigações, Juninho Varão teria integrado anteriormente a milícia comandada por Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko, um dos principais líderes paramilitares do estado. Após a morte de Ecko, em 2021, e a posterior fragmentação da estrutura associada a Danilo Tandera, Varão teria ampliado sua influência e assumido o controle de áreas da Baixada Fluminense.
As autoridades investigam a estrutura financeira e operacional do grupo, além da participação de integrantes apontados como responsáveis por atividades de cobrança e intimidação.
Juninho Varão é considerado foragido e, segundo as informações divulgadas, é alvo de mandados judiciais. As ações policiais buscam localizar o investigado e atingir a rede de colaboradores apontada como parte da organização criminosa.
As investigações prosseguem para aprofundar a apuração sobre a atuação dos dois homens presos e esclarecer a participação de outros integrantes nas cobranças realizadas contra comerciantes de Nova Iguaçu.





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