Polícia procura dois suspeitos de integrar milícia que cobrava taxas de moradores em Nova Iguaçu

Disque Denúncia divulga cartaz com os nomes de “Felipinho” e “MJ”; investigação aponta extorsões em condomínio do Jardim Guandu


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A Polícia Civil do Rio de Janeiro procura dois homens apontados como integrantes de uma milícia que atuava no Condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Nesta sexta-feira (16), o Disque Denúncia divulgou um cartaz para ajudar nas buscas por Felipe Alves da Silva, conhecido como “Felipinho” ou “Portugal”, de 28 anos, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o “MJ”, de 27. Os dois são considerados foragidos da Justiça e têm mandados de prisão preventiva expedidos.

Segundo as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE), os suspeitos integrariam o grupo liderado por Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como “Juninho Varão”, de 35 anos.

A divulgação do cartaz ocorre após uma operação realizada na quarta-feira (14) pela Polícia Civil, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, no Condomínio Jardim Guandu. A apuração aponta que o grupo cobrava dos moradores uma chamada “taxa de segurança”, que poderia chegar a R$ 70 por família por mês.

De acordo com a polícia, as cobranças ilegais movimentavam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil mensais. Moradores também teriam sido ameaçados de agressão e expulsão das residências. A morte de um residente está sob investigação das autoridades.

Grupo teria interferido na administração do condomínio

As investigações indicaram que a milícia exercia influência sobre a gestão do condomínio, com a imposição de síndicos após a expulsão dos administradores oficiais. O residencial tem aproximadamente 1.200 apartamentos, distribuídos em 12 lotes, cada um com cerca de 100 unidades.

Conforme a DRACO-IE, “Felipinho” seria uma pessoa de confiança de “Juninho Varão” e teria a função de liderar as cobranças ilegais. Já “MJ” é apontado como um dos responsáveis por arrecadar os valores e intimidar os moradores.

Durante a operação, os agentes encontraram um porrete coberto de pregos, que, segundo a investigação, poderia ser usado para intimidar as vítimas. Também foram apreendidos chaves, envelopes e um distintivo da Polícia Militar cuja autenticidade poderá ser investigada.

Ao longo das apurações, nove integrantes do grupo foram identificados e indiciados. A investigação descreve uma estrutura organizada para realizar as cobranças, com divisão de tarefas, supervisão dos pagamentos e prestação de contas.

A polícia também aponta que o grupo liderado por “Juninho Varão” exerce controle sobre atividades milicianas em cinco bairros de Nova Iguaçu e em parte do município de Queimados.

Mandados de prisão

A autoridade policial da DRACO-IE solicitou à Justiça a prisão preventiva de “Felipinho” e “MJ”. Os mandados foram autorizados pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por suspeita de envolvimento em crimes relacionados à Lei das Organizações Criminosas.

Segundo as informações divulgadas, “Juninho Varão” possui seis mandados de prisão em aberto, relacionados a investigações por lavagem de dinheiro, extorsão, organização criminosa, homicídio simples e homicídio qualificado. Ele também tem registro de passagem pelo sistema prisional entre abril de 2012 e dezembro de 2014, em um processo por tentativa de homicídio simples, no qual a prisão foi revogada.

Como denunciar

O Disque Denúncia recebe informações que possam ajudar na localização dos dois procurados pelo telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, com garantia de anonimato.

Também é possível enviar informações pelo aplicativo Disque Denúncia RJ ou pelo WhatsApp Anonimizado, no número (21) 2253-1177.

As informações podem contribuir com o trabalho das forças de segurança na localização de pessoas procuradas pela Justiça.

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