A primeira equipe formada exclusivamente por mulheres para atuar no geofonamento da Águas do Rio vem ampliando o uso de tecnologia no combate às perdas de água tratada na Baixada Fluminense. Com o auxílio de equipamentos capazes de identificar vazamentos subterrâneos que não são visíveis na superfície, as profissionais já percorreram cerca de 1.200 quilômetros em seis municípios da região e contribuíram para mais de 740 reparos nos últimos cinco meses.
O grupo integra as ações do Controle Ativo de Vazamentos da concessionária, estratégia que combina monitoramento por satélites, inteligência operacional e geofones — equipamentos acústicos de alta sensibilidade utilizados para detectar o som da água escapando das tubulações subterrâneas. Após a identificação de possíveis anomalias por imagens de satélite, as equipes seguem para o trabalho de campo, onde confirmam a existência dos vazamentos antes da execução dos reparos.
As atividades são realizadas em Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita e Nilópolis. A identificação rápida desses pontos contribui para reduzir o desperdício de água potável, aumentar a eficiência do sistema de distribuição e minimizar os impactos no abastecimento da população.
As informações coletadas pelos satélites são analisadas no Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Rio, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro. A partir dessa análise, as equipes de campo são direcionadas às áreas com maior probabilidade de vazamentos ocultos, tornando o processo mais preciso e ágil.
Além da inovação tecnológica, a iniciativa também representa um avanço na participação feminina em uma área tradicionalmente ocupada por homens. Aos 24 anos, Renata Araújo ingressou na concessionária após atuar no mercado imobiliário e afirma que encontrou um ambiente de acolhimento e incentivo ao desenvolvimento profissional. Segundo ela, o reconhecimento da equipe reforçou sua confiança para desempenhar uma função que exige atenção, técnica e precisão.
A trajetória de Miriam Cabral também reflete essa transformação. Aos 35 anos, após mais de uma década trabalhando como técnica de enfermagem e posteriormente como cuidadora de idosos, ela encontrou na concessionária uma oportunidade de recomeço profissional. Para Miriam, o período de adaptação foi marcado por aprendizado constante e apoio dos colegas para dominar a rotina de campo e o uso dos equipamentos.
Para a gerente de Serviços da Águas do Rio, Joyce Helly Soares, a formação da primeira equipe 100% feminina de geofonamento demonstra que inovação, qualificação técnica e diversidade caminham juntas. Segundo ela, cada vazamento identificado antes de chegar à superfície representa água preservada, maior eficiência operacional e mais rapidez no atendimento à população, além de reforçar a presença das mulheres em funções estratégicas para o saneamento.





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