Projeto em Duque de Caxias capacita mulheres para transformar jaca verde em alimento e fonte de renda

PROJACA vai formar 75 agricultoras e empreendedoras em manejo, processamento e comercialização da fruta durante dez meses


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A abundância de jaqueiras na Mata Atlântica do Rio de Janeiro será o ponto de partida para um projeto que pretende aproximar manejo ambiental, segurança alimentar e geração de renda. Em Duque de Caxias, o Instituto Sinal do Vale iniciou o PROJACA, iniciativa que vai capacitar 75 mulheres agricultoras e empreendedoras para atuar na cadeia produtiva da jaca verde.

As participantes são dos municípios de Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Nova Iguaçu. Ao longo de dez meses, elas passarão por formações que abrangem desde a colheita e o manejo da fruta até o processamento, desenvolvimento de produtos e comercialização.

A proposta parte de uma característica particular da jaqueira no estado. Originária do sul e sudeste da Ásia, a espécie está presente no Rio de Janeiro há séculos e é considerada exótica invasora em diferentes áreas. Pesquisas realizadas em regiões de Mata Atlântica já registraram sua capacidade de formar populações densas e competir com a vegetação nativa.

Ao mesmo tempo, a árvore apresenta alta capacidade de produção. Uma jaqueira adulta pode produzir mais de 100 frutos por ano, enquanto algumas jacas ultrapassam 35 quilos. O projeto pretende aproveitar parte dessa produção antes do amadurecimento, transformando a fruta em alimentos e produtos comercializáveis.

Da colheita ao desenvolvimento de produtos

A formação do PROJACA inclui conteúdos sobre colheita, manejo e pós-colheita, processamento e beneficiamento, gastronomia, desenvolvimento de produtos, compras públicas e comercialização.

A jaca verde pode ser processada e utilizada em diferentes preparações salgadas. Depois de cozida, a fruta apresenta textura que permite seu uso em receitas como carne de jaca, farinha e outros alimentos.

Para Suenia da Silva, agricultora de Guapimirim e participante do projeto, o conhecimento adquirido pode contribuir para aperfeiçoar o manejo da fruta e ampliar seu aproveitamento entre pequenos produtores.

A agricultora também integra uma associação que comercializa produtos na Rede Agroecológica, na Urca.

O coordenador do PROJACA no Instituto Sinal do Vale, Felipe Becker, afirma que a iniciativa pretende estruturar uma cadeia produtiva a partir da abundância da jaca no Recôncavo da Guanabara. Segundo ele, o projeto também busca explorar o potencial econômico e social da fruta, especialmente por meio das compras públicas.

Experiência já desenvolvida no território

O Instituto Sinal do Vale já trabalha com o aproveitamento gastronômico da jaca verde na região. Desde 2021, por meio da empresa social Madre Frutos, a instituição recolhe, processa e comercializa a chamada carne de jaca e produtos como quibe de jaca.

A experiência também inclui oficinas sobre o aproveitamento da fruta. Em 2022, o instituto realizou, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Duque de Caxias, um laboratório que reuniu profissionais de gastronomia para testar diferentes formas de utilização da jaca e conhecer seu processamento.

O PROJACA amplia essa experiência com foco específico na formação de mulheres agricultoras e empreendedoras e na estruturação das diferentes etapas da cadeia produtiva.

A iniciativa também considera experiências realizadas em outras regiões do país. Em Alagoas, uma cooperativa de agricultores familiares chegou a fornecer carne de jaca verde para a alimentação escolar municipal.

Ao final dos dez meses de atividades, o projeto pretende testar caminhos para transformar a abundância da fruta em uma cadeia local capaz de gerar alimentos, produtos e renda, conectando manejo ambiental, gastronomia e desenvolvimento econômico.

O PROJACA tem apoio do Ministério das Mulheres para ações voltadas à promoção da autonomia econômica de mulheres agricultoras e empreendedoras.

As formações serão realizadas no Instituto Sinal do Vale, em Duque de Caxias. A iniciativa terá duração de dez meses e atenderá 75 mulheres dos municípios de Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Nova Iguaçu.

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