A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João de Meriti realizou, nesta quinta-feira (23), a 6ª edição do Certificado Zeelândia Cândido, iniciativa que reconhece mulheres negras que se destacam por sua atuação em diferentes áreas da sociedade. A cerimônia aconteceu no auditório do Centro Cultural Meritiense e homenageou 70 mulheres pelos serviços prestados nos setores de Educação, Cultura, Trabalho e Renda e Turismo.
A edição deste ano integrou as ações em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. Além da entrega das homenagens, a programação incluiu uma palestra voltada à valorização da autoestima, do protagonismo feminino e do fortalecimento da mulher negra na sociedade.
Durante o evento, representantes do poder público destacaram a importância de iniciativas que promovam a igualdade racial e ampliem a visibilidade das contribuições das mulheres negras para o desenvolvimento do município. Segundo o subsecretário de Audiovisual, Empreendedorismo Cultural e Igualdade Racial, Pierre Vieira Meirelles, reconhecer essas trajetórias é uma forma de fortalecer políticas públicas voltadas à inclusão e ao combate às desigualdades.
“O reconhecimento é importante porque evidencia o espaço que as mulheres negras ocupam na sociedade e reforça a necessidade de ampliar esse protagonismo em diferentes setores”, afirmou o subsecretário durante a cerimônia.
Entre as homenageadas estava a diretora escolar Patrícia Cardoso, que destacou a importância da iniciativa para incentivar a representatividade feminina. Para ela, receber a honraria simboliza o reconhecimento do trabalho desenvolvido por mulheres negras que atuam diariamente em posições de liderança e transformação social.
O certificado leva o nome de Zeelândia Cândido de Andrade (1924–2006), ativista que teve atuação marcante em movimentos sociais, organizações de mulheres, associações de moradores e iniciativas voltadas à promoção da igualdade racial em São João de Meriti.
Filha de João Cândido, conhecido como o “Almirante Negro” e líder da Revolta da Chibata, movimento realizado em 1910 contra os castigos físicos e as precárias condições de trabalho impostas aos marinheiros da Marinha brasileira, Zeelândia dedicou grande parte da vida à preservação da memória do pai e à luta pelo reconhecimento histórico dos participantes da revolta. Também atuou em defesa da anistia póstuma de João Cândido e de sua reintegração simbólica aos quadros da Marinha.
Ao homenagear mulheres que contribuem para o desenvolvimento da cidade e manter viva a memória de Zeelândia Cândido, o município reforça ações voltadas à valorização da diversidade, da inclusão e do protagonismo feminino, reconhecendo trajetórias que ajudam a construir uma sociedade mais justa e igualitária.





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