Um tico-tico (Zonotrichia capensis), muito confundido com o pardal (Passer domesticus), subiu no limoeiro do meu quintal. Com impressionante destreza, começou a comer pequenos insetos e larvas, movimentando o pescoço para isso e para observar o entorno e saber se estava seguro. Olhou-me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando-se. Soube que era uma fêma quando um macho da espécie a cortejou-a, deu-lhe como que um beijo após meter o bico em um limão suculento e montou nela. Toda a cena do acasalamento não durou cinco segundos.
A fêmea voou. O macho ficou batendo as asas e cantando (felicidade?). Eu observei o verde do limão chupado contra o azul do céu de outubro. Um azul vivo e quente como a vida que insiste em pulsar, apesar das agruras lá fora…

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