A mulher invisível

Ela sorri e seu sorriso

invade, abraça, preenche

o ambiente. O que ela tem?

É feliz, é presente, é linda.

Como não amá-la?

Primavera a cada gesto,

do vestido à mão estendida.

No sorriso, porém, uma mancha;

coisa pouca, ninguém vê…

Pele de pipoca, gomo de limão?

Não. É mais. É muito.

É dor. É dor e vergonha.

É dor e vergonha e medo.

É medo e vergonha e dor.


“É falsa a tua alegria!

É pálido o verde dos teus olhos!

É bobo o loiro dos cabelos!

É nada a saúde e a beleza,

que zelas, em vão, para ter!”.

As vozes não vêm de fora,

de dentro de casa ecoam.

E soam-lhe verdadeiras

e impossíveis de combater;

ferem mais que soco,

golpes invisíveis que são.

De tanto ouvir que é pequena,

aprendeu a encolher a alma

dentro do vestido de festa.

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