Comecei dedicando à minha amada
os versos mais banais que estão no mundo,
toadas, madrigais, amor fecundo.
Desprezaram-me o canto, a vã cantada…
Tentei, vez após vez, e deu em nada!
Senti, dentro, um vazio: sou imundo!
Um Romeu acabado, um vagabundo!
E abracei as noites, as madrugadas…
Hoje, à carne leal, beijo as amantes,
as amadas e os bares, a gozar…
E naqueles lugares onde eu antes
jurei por minha amada não pisar,
e agora piso e moro e a dor cortante
lembra que não sou mais capaz de amar…




Comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo.
Seja o primeiro a comentar!