A preservação de tradições afro-brasileiras está no centro de duas oficinas realizadas pelo Projeto Cultura na Faixa em Nova Iguaçu e Duque de Caxias. A iniciativa ganha destaque no Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição, celebrado em 23 de agosto, ao aproximar crianças, adolescentes e jovens de manifestações culturais relacionadas à ancestralidade e à formação da sociedade brasileira.
As atividades trabalham diferentes formas de expressão. A oficina Raízes e Tranças aborda técnicas tradicionais ligadas à cultura negra, enquanto a oficina de Folia de Reis apresenta uma manifestação popular que recebeu, ao longo de sua história, influências africanas em elementos como musicalidade, instrumentos, oralidade e organização comunitária.
Para Geraldo Bastos, gerente de RH e Mobilização Social do Cultura na Faixa, o objetivo das atividades vai além do aprendizado de técnicas artísticas. A proposta é criar oportunidades para que os participantes conheçam referências culturais presentes nos próprios territórios e reconheçam a diversidade que compõe a identidade brasileira.
Dados levantados pelo projeto no território do Geneciano, em Nova Iguaçu, mostram a presença expressiva da população negra nas atividades. Na oficina Raízes e Tranças, 72,4% das participantes se declararam pretas ou pardas (sendo 41,4% pretas e 31,0% pardas, além de 20,7% brancas e 6,9% não informado), enquanto 17,2% afirmaram pertencer a comunidades tradicionais, incluindo povos de terreiro e famílias ligadas à agricultura familiar.


Na oficina de Folia de Reis, 81,6% dos participantes se autodeclararam pretos ou pardos (composta por 71,1% de pardos e 10,5% de pretos, além de 18,4% de participantes brancos). Os números indicam a forte presença da população negra entre os envolvidos nas atividades e a continuidade dessas manifestações culturais nas comunidades.

Cultura como instrumento de pertencimento
O trabalho desenvolvido pelo projeto relaciona preservação cultural, autoestima e reconhecimento das origens. Ao conhecer a trajetória de manifestações presentes no próprio território, os participantes podem estabelecer contato com referências históricas e culturais que ajudam a compreender a formação de suas comunidades.
As ações também integram uma agenda mais ampla desenvolvida pelo Cultura na Faixa ao longo de quase dois anos. Nesse período, o projeto promoveu atividades de direitos humanos, visitas a equipamentos culturais e iniciativas voltadas à valorização da cultura negra.
Entre elas está a participação de jovens na ação “Raízes do Orgulho”, realizada em parceria com a Casa do Menor, com atividades direcionadas ao empoderamento negro e à valorização da cultura afro-brasileira.
O Cultura na Faixa é uma iniciativa da ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), realizada por meio de convênio com a Transpetro. O projeto oferece gratuitamente atividades de cultura, esporte e cidadania para crianças, adolescentes, jovens e suas famílias em comunidades localizadas nas faixas de dutos da empresa na Baixada Fluminense.
Além das atividades culturais, a iniciativa mantém bases comunitárias nos territórios atendidos e busca fortalecer vínculos entre moradores, estimular a convivência e ampliar espaços de participação social. O projeto também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, com ações voltadas ao desenvolvimento comunitário e à cultura de paz.





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