O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), em Duque de Caxias, ultrapassou a marca de 700 órgãos e tecidos captados desde a municipalização da unidade, há quase cinco anos. O trabalho é realizado pela Equipe Hospitalar de Doação para Transplante (e-DOT), responsável por acompanhar os processos de doação e atuar junto às famílias de potenciais doadores.
A unidade, administrada pela Prefeitura de Duque de Caxias, é referência estadual em atendimento de trauma, urgência, emergência e alta complexidade. No cenário dos transplantes, o hospital também se mantém entre os dez que mais realizam captação de órgãos no país.
Em 2026, até o momento, o HMAPN ocupa a primeira colocação no ranking estadual de captação, com mais de 100 órgãos captados. Os órgãos e tecidos destinados aos transplantes podem beneficiar pacientes que aguardam na fila em diferentes partes do Brasil, não apenas no estado do Rio de Janeiro.
Trabalho envolve atendimento médico e acolhimento às famílias
A atuação da e-DOT começa ainda durante o acompanhamento de potenciais doadores. A equipe participa da busca ativa, apoia o diagnóstico de morte encefálica e a manutenção das condições clínicas do potencial doador, além de realizar o acolhimento dos familiares.
Também fazem parte do trabalho a articulação com a rede de transplantes e o desenvolvimento de ações educativas para ampliar o conhecimento sobre a doação de órgãos.
Para o coordenador da e-DOT no HMAPN, Gilberto Malvar, o atendimento às famílias precisa ser conduzido com respeito, empatia e informação desde os primeiros momentos.
“Quando um paciente grave chega em suspeita de morte encefálica na unidade, logo buscamos os familiares para explicar o quadro clínico, o que é morte encefálica e quais as etapas para se chegar a esse diagnóstico”, afirmou.
Segundo Malvar, o acolhimento também busca considerar o impacto emocional enfrentado pelos familiares durante o processo. Para ele, a atuação de profissionais capacitados e o contato precoce com as famílias contribuem para tornar o processo de doação mais efetivo.
Família autoriza doação após morte de menino de 11 anos
Um dos casos registrados em setembro envolveu Miguel, de 11 anos, morador de Magé, vítima de atropelamento no início do mês. Após o atendimento hospitalar e a confirmação do protocolo de morte encefálica, os pais autorizaram a doação dos órgãos.
A mãe do menino, Tatiane Borges da Fonseca, relatou que a decisão ocorreu durante um momento de profunda dor. Após receber o acolhimento da equipe, ela decidiu autorizar a doação como forma de permitir que outras pessoas pudessem ser beneficiadas.
“Eu agradeço ao acolhimento que tivemos aqui no hospital, desde a internação até a confirmação da morte do Miguel. A doação foi uma decisão que tomei consciente porque meu filho era muito amado e não achei justo eu enterrar meu filho sabendo que, com a doação dos órgãos, ele poderia salvar muitas vidas”, declarou.
Tatiane também afirmou que saber que parte dos órgãos do filho poderia ajudar outras crianças trouxe conforto diante da perda.
Captação possibilitou primeiro transplante isolado de intestino no estado
Outro procedimento realizado em setembro a partir de uma captação no HMAPN resultou em um marco para a medicina do Rio de Janeiro. A doação possibilitou a realização do primeiro transplante isolado de intestino no estado.
Depois do acompanhamento realizado pela e-DOT e da autorização dos pais do potencial doador, a captação do intestino foi conduzida pelo médico Eduardo Fernandes, chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Adventista Silvestre. A operação envolveu profissionais de diferentes áreas.
O transplante foi realizado com sucesso e o órgão permaneceu em funcionamento, representando um avanço para pacientes que enfrentam quadros de falência intestinal.
Setembro Verde reforça importância da conversa em família
A mobilização Setembro Verde ocorre em referência ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. A campanha busca ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos e estimular a população a conversar com seus familiares sobre o desejo de ser doador.
No Brasil, a autorização para a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende da decisão da família. Por isso, comunicar previamente esse desejo aos parentes é uma das principais orientações das campanhas de conscientização.
A doação é gratuita e não envolve compensação financeira. O Ministério da Saúde destaca que, embora a legislação não permita garantir previamente a vontade do potencial doador, o conhecimento da família sobre esse desejo pode contribuir para que a decisão seja respeitada.
O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes fica na Rodovia Washington Luiz, km 109, no bairro Jardim Primavera, em Duque de Caxias.





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