O Instituto Fábio Mateus realiza no sábado, 24 de outubro, a celebração do Dia do Artista da Baixada Fluminense, em Nova Iguaçu. A programação começa às 9h, no Patronato São Vicente, com café da manhã, apresentação teatral, homenagens e exibição de um documentário sobre artistas da região. A entrada é gratuita.
Um dos homenageados será o ator, diretor e produtor cultural Luiz Valentim, de Nilópolis, que completa 50 anos de trajetória artística. A cerimônia também vai reverenciar a memória do ator e diretor Celso Mosciaro, que será representado pelo amigo Lenilson Lessa.
A programação começa com um café da manhã para os convidados, no quiosque do Patronato. Em seguida, o público poderá acompanhar o monólogo “Enquanto Eles me Matam, Eu Pari o Mundo”, interpretado pela atriz Suelen Soares, de Nova Iguaçu.
Depois da apresentação, Luiz Valentim receberá uma homenagem no palco. Um representante de Celso Mosciaro também será contemplado com um certificado em nome do artista. A manhã termina com a exibição do doc-ficção “Memória: História é Filme, Não é Foto”, dirigido por Emanuel Sant, que destaca a trajetória de profissionais da cultura da Baixada Fluminense, entre eles Fábio Mateus.
Luiz Valentim celebra cinco décadas no teatro
A trajetória de Luiz Valentim começou em 1976, no antigo Colégio Filgueiras, em Nilópolis. Aos 70 anos, ele recorda a estreia com a peça “Fragmentos”, de Adilson Kneatra, que abordava as memórias da infância e as expectativas em relação ao futuro.
O início da carreira ocorreu durante a ditadura cívico-militar, período em que as apresentações teatrais estavam sujeitas à censura e à autorização dos órgãos de segurança. Valentim lembra que os grupos precisavam obter um certificado da Polícia Federal para realizar os espetáculos e reservar lugares para representantes da instituição acompanharem as sessões.
Servidor público estadual aposentado, o artista continua atuando na área cultural e trabalha na Secretaria de Cultura de Nilópolis. Ao longo da carreira, também passou 25 anos no Colégio Estadual Ubiratan Barbosa e dirigiu o antigo Teatro Municipal Tim Lopes, no município.
Seu repertório inclui montagens de diferentes estilos, como “Lisbela e o Prisioneiro”, “Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá”, “Romeu e Julieta” e “O Auto da Compadecida”. Entre os trabalhos de destaque estão ainda a comédia “A Gaiola das Loucas”, que voltou ao palco do Teatro Tim Lopes em outras temporadas, e os espetáculos infantis “João e Maria” e “Os Músicos de Bremen”, que atraíram o público ao teatro.
Homenagem à trajetória de Celso Mosciaro
Nascido em Anchieta, no Rio de Janeiro, Celso Mosciaro construiu parte importante de sua trajetória artística na Baixada Fluminense. Ele foi um dos últimos diretores do Teatro Arcádia, que funcionava na Rua Alberto Cocoza, no Centro de Nova Iguaçu, e se tornou uma referência para artistas da região.
Luiz Valentim destaca a importância do espaço para a circulação de produções teatrais e o encontro de diferentes gerações de profissionais. Entre os artistas que passaram pelo local estavam Roberto de Brito e Sylvio Monteiro. Segundo Valentim, até Procópio Ferreira, que morava na região naquele período, levou um espetáculo ao teatro.
A homenagem a Mosciaro busca reconhecer sua contribuição para a história do teatro local e o papel de espaços culturais que ajudaram a abrir caminhos para artistas da Baixada.
Evento celebra legado de Fábio Mateus
Para Anderson Marques, ator e diretor do Instituto Fábio Mateus, a data foi criada para valorizar os profissionais que mantêm a produção cultural ativa na região e preservar a memória de Fábio Mateus.
Marques foi companheiro de Fábio no grupo de teatro Andarilhos e dirigiu “Precisa-se de Velhos Palhaços”, último espetáculo do qual o artista participou. Ele define a celebração como uma oportunidade de reunir pessoas ligadas à cultura regional em um ambiente de reconhecimento e convivência.
O Instituto também está com inscrições abertas para cursos de teatro e dança em Miguel Couto, bairro de Nova Iguaçu. As informações estão disponíveis no perfil da instituição no Instagram, @institutofabiomateus.
Artista, produtor cultural e empreendedor social, Fábio Mateus foi um dos criadores do Festival de Teatro EncontrArte. Ao longo de 20 anos, o evento levou gratuitamente mais de 200 mil pessoas ao teatro e mobilizou mais de cinco mil artistas e técnicos na Baixada Fluminense.
Fábio morreu em 7 de outubro de 2023, aos 46 anos. Seu trabalho, porém, segue presente em iniciativas de formação e democratização do acesso à cultura. Em 2020, durante a pandemia, ele idealizou e criou, com os sócios, a EncontrArte Audiovisual, que oferece aulas gratuitas de cinema no Patronato São Vicente, em Nova Iguaçu.
Cerca de 200 ex-alunos passaram pela formação, e muitos atuam em agências, empresas de streaming, produtoras de cinema ou como profissionais autônomos do audiovisual. Fábio também foi diretor do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated/RJ) e representou a entidade no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.
A celebração do Dia do Artista da Baixada Fluminense reúne, assim, homenagens a nomes que contribuíram para a cultura regional e reforça a importância de preservar a memória artística, valorizar os profissionais da área e ampliar as oportunidades para novas gerações.





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