Uma mariposa-imperial (Eacles imperialis) com manchas nas asas que lembram uma caveira humana foi fotografada durante o acasalamento no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O registro foi feito pelo fotógrafo Luiz Felipe Regaço na manhã de 22 de junho de 2026 e chama atenção tanto pelo desenho incomum do inseto quanto pelo flagrante de reprodução em uma área urbana.
Na imagem, as manchas escuras sobre o fundo marrom e amarelo das asas formam um padrão semelhante a um crânio, com contornos que lembram as órbitas dos olhos e o maxilar. O efeito visual pode ser explicado pela pareidolia, fenômeno em que o cérebro identifica formas familiares em imagens e padrões da natureza.
A cena ganha um detalhe adicional: escondida na mesma folha, atrás do macho, estava a fêmea da espécie, de coloração mais amarelada. Os dois foram fotografados durante a cópula, momento em que ocorre a transferência de material genético entre os indivíduos.
Registro revela encontro raro na área urbana
Encontrar mariposas de grande porte em áreas centrais de cidades pode ser difícil, especialmente em ambientes com pouca vegetação e forte presença de iluminação artificial. O registro em Nova Iguaçu mostra que esses insetos também podem ser encontrados em meio à paisagem urbana.
A iluminação artificial pode interferir no comportamento de insetos noturnos, atraindo-os para determinados pontos e alterando seus padrões de voo. No caso registrado pelo fotógrafo, um foco de luz que incide sobre as folhas durante a noite pode ter contribuído para a presença do casal na árvore. Essa hipótese, porém, não confirma o motivo específico pelo qual os animais escolheram aquele local.
O flagrante também é significativo pela fase em que os insetos foram encontrados. Na etapa adulta, as mariposas têm vida relativamente curta e dependem das reservas de energia acumuladas durante a fase de lagarta. A reprodução é uma das principais funções dessa etapa do ciclo de vida.
Desenho das asas é diferente da mariposa de “O Silêncio dos Inocentes”
A semelhança com uma caveira também remete à mariposa associada ao filme O Silêncio dos Inocentes, de 1991. No entanto, trata-se de espécies diferentes.
A mariposa conhecida pela marca semelhante a um crânio no dorso é a Acherontia atropos, espécie nativa de regiões da África e da Eurásia. Já a Eacles imperialis, fotografada em Nova Iguaçu, pertence a outro grupo de mariposas e apresenta o padrão nas asas.
Nas imagens feitas de perfil, a mancha pode parecer um detalhe isolado. Vistas por trás, porém, as asas revelam padrões semelhantes nos dois lados do corpo. A simetria é compatível com a distribuição natural das manchas, e não necessariamente com uma lesão ou falha no desenvolvimento do inseto.
Filhotes podem herdar características das asas
Como o casal foi fotografado durante a reprodução, surge a possibilidade de que parte dos descendentes apresente desenhos semelhantes aos do macho. A aparência das asas, entretanto, não depende de um único fator e pode variar entre os filhotes.
Características como a distribuição e a intensidade das manchas são influenciadas pela herança genética e pela combinação de características dos progenitores. Por isso, mesmo que os descendentes apresentem padrões semelhantes, não é possível garantir que algum deles desenvolva uma figura tão definida quanto a que aparece na fotografia.
O registro transforma um encontro da vida selvagem em plena área urbana em uma oportunidade de observar a biodiversidade e os padrões naturais que podem passar despercebidos no cotidiano de Nova Iguaçu.





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