Marketing político de Haroldinho começou antes da campanha e antecedeu vitória com 77,47% dos votos em Itaguaí

Equipe liderada por Dan Wingler trabalhou a presença digital do então prefeito interino durante meses de indefinição jurídica, antes da eleição suplementar de 25 de outubro


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A vitória de Haroldo Jesus, o Haroldinho (PDT), na eleição suplementar de Itaguaí, em 25 de outubro, teve uma etapa anterior aos 60 dias oficiais de campanha: a construção de sua imagem pública enquanto ocupava interinamente a Prefeitura. Ele recebeu 58.054 votos, correspondentes a 77,47% dos votos válidos, e foi eleito para comandar o município até o fim de 2028.

O resultado encerrou um período de instabilidade política que se estendeu por quase dois anos e teve desdobramentos judiciais sobre a sucessão municipal. Nesse cenário, a equipe de comunicação do então prefeito interino desenvolveu uma estratégia de exposição pública e presença digital que, segundo o profissional responsável pelo marketing, começou antes mesmo de haver uma data definida para a eleição.

O trabalho foi conduzido pelo carioca Dan Wingler, de 41 anos, em parceria com o sócio Matheus Torres e o estrategista político Tiago Silas. A equipe acompanhou Haroldinho desde janeiro de 2025, quando ele assumiu interinamente o Executivo municipal.

Wingler resume o início do projeto como um período de incertezas. “Foi um voo às cegas por um lado, mas, por outro, enxergamos no Haroldo um político forte e humano, e trabalhamos esses pontos fortes”, afirmou.

Um cenário de indefinição política

A trajetória recente de Itaguaí foi marcada por mudanças no comando da Prefeitura e disputas judiciais. Carlo Busatto Junior, o Charlinho, governou o município entre 2005 e 2012 e voltou ao cargo em 2017, mas teve o mandato cassado em 2020.

Na ocasião, o então presidente da Câmara, Rubem Vieira, conhecido como Rubão, assumiu a Prefeitura e permaneceu até o fim daquele ano. Ele venceu a eleição municipal de 2020 e tentou disputar novamente o cargo em 2024. Sua candidatura, porém, foi alvo de questionamentos relacionados às regras constitucionais para a reeleição.

A controvérsia levou a uma disputa judicial que manteve a cidade em um período de indefinição até a realização de uma eleição suplementar. Foi nesse intervalo que Haroldinho, então presidente da Câmara, passou a exercer interinamente a chefia do Executivo.

Para a equipe de marketing, o desafio era desenvolver uma estratégia de comunicação sem saber quando a disputa eleitoral aconteceria ou quais seriam os próximos desdobramentos jurídicos.

Presença digital e contato com a população

A estratégia adotada teve como eixos a presença nas redes sociais, a aproximação com os moradores e a divulgação frequente das atividades do governo. O trabalho envolveu a produção de vídeos, definição de pautas, registros da rotina administrativa, edição de conteúdo e acompanhamento das manifestações recebidas pelos canais digitais.

Segundo Wingler, a equipe precisava manter contato constante com Haroldinho para aproveitar situações do cotidiano da Prefeitura e transformá-las em conteúdos de comunicação. Também era necessário responder às demandas encaminhadas pelos moradores por meio de mensagens e interações nas redes.

De acordo com os números apresentados pela equipe, Haroldinho ultrapassou 87 mil seguidores somando seus perfis nas diferentes plataformas digitais, com média mensal superior a 10 milhões de visualizações.

O trabalho também envolveu a adaptação do político à comunicação em vídeo. Segundo o relato de Wingler, Haroldinho não tinha familiaridade com esse formato no início do processo, mas passou a participar com maior frequência de gravações e a desenvolver mais desenvoltura diante das câmeras.

A construção da imagem pública procurou explorar características que, conforme a equipe, já eram associadas ao então prefeito interino, como a proximidade familiar, o bom humor e a disposição para conversar com a população.

Equipe e organização da campanha

A estrutura não era numerosa, mas reunia profissionais de diferentes áreas. Jornalistas, fotógrafos, filmmakers, editores e responsáveis pelo monitoramento digital atuaram na produção e distribuição dos conteúdos. Lideranças e equipes de apoio também participaram da organização das agendas e das atividades.

Matheus Torres teve atuação na operação diária, acompanhando Haroldinho presencialmente, coordenando equipes e executando as ações planejadas. Tiago Silas ficou responsável por atividades de estratégia política, articulação com lideranças, organização de agendas e compartilhamento de informações para orientar as decisões da comunicação.

Quando a campanha começou oficialmente, a equipe já contava com uma rotina de produção estabelecida e com um público habituado a acompanhar o então prefeito interino nas redes sociais.

A disputa, por sua vez, exigiu atenção a outros fatores. A equipe relata que a polarização política nacional teve reflexos na eleição municipal e que a circulação de informações falsas exigiu monitoramento e divulgação de esclarecimentos.

A credibilidade construída no período anterior à campanha foi apontada por Wingler como um elemento importante para a comunicação com os moradores durante os 60 dias de disputa.

Planejamento antes do calendário eleitoral

A experiência em Itaguaí, na avaliação de Dan Wingler, demonstra a importância de iniciar o planejamento de comunicação antes do período oficial de campanha, especialmente quando o calendário eleitoral depende de decisões judiciais.

O trabalho precisou combinar produção de conteúdo, acompanhamento da rotina do gestor, interação com a população e capacidade de adaptação a um cenário político que ainda não tinha definição.

A eleição terminou com Haroldinho eleito por 77,47% dos votos válidos. Para a equipe de marketing, o resultado também reflete meses de preparação anteriores ao início formal da campanha, período em que a presença digital do candidato foi ampliada e a comunicação com os moradores passou a integrar a rotina do governo.

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