Nova Iguaçu inicia plano para preparar cidade para impactos das mudanças climáticas

Oficina com mais de 70 participantes apontou inundações entre as principais prioridades e ajudará a definir ações até 2027


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Nova Iguaçu avançou na elaboração de um plano municipal voltado à prevenção e à adaptação aos impactos das mudanças climáticas. Uma oficina participativa realizada nesta sexta-feira (28), no auditório do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu (Previni), reuniu mais de 70 representantes do poder público e da sociedade civil para identificar vulnerabilidades e apontar os fenômenos climáticos que mais afetam o município.

Para os moradores da Baixada Fluminense, o planejamento tem relação direta com problemas que podem afetar deslocamentos, moradias, serviços públicos e a segurança durante períodos de chuvas intensas. As inundações foram apontadas como uma das principais prioridades e serão consideradas no diagnóstico que servirá de base para as próximas etapas do Plano Local de Ação Climática (PLAC).

Durante a oficina, os participantes discutiram os principais desafios enfrentados pela cidade e compartilharam percepções sobre os impactos dos eventos climáticos. A proposta é combinar o conhecimento técnico produzido pela administração pública com as experiências de quem convive diretamente com os problemas nas diferentes regiões do município.

As informações coletadas serão incorporadas ao diagnóstico climático de Nova Iguaçu. A previsão é que uma nova oficina seja realizada em novembro para discutir e estabelecer prioridades entre as medidas que poderão integrar o plano. A conclusão do PLAC está prevista para 2027.

O trabalho faz parte do Programa Ambiente Resiliente, desenvolvido pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Nova Iguaçu está entre os 34 municípios selecionados no estado para participar da iniciativa.

A metodologia utilizada é a CityRAP, ferramenta voltada à avaliação de riscos e à construção participativa de estratégias para aumentar a resiliência das cidades. A abordagem busca identificar os principais riscos, compreender as vulnerabilidades locais e apoiar a definição de respostas que possam ser incorporadas ao planejamento municipal.

O prefeito Dudu Reina destacou que a elaboração do plano deve considerar os impactos já observados no município e a necessidade de ampliar a capacidade de prevenção diante de eventos climáticos.

Para o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Edgar Martins, a participação da sociedade é importante para transformar as discussões em medidas concretas. A intenção, segundo ele, é fazer com que as ações planejadas possam resultar em políticas públicas relacionadas à redução dos impactos das enchentes, ao reflorestamento e ao aumento da resiliência da população.

A Defesa Civil também participa do processo. O secretário municipal Jorge Ribeiro Lopes afirmou que ouvir os moradores pode tornar mais precisas as estratégias de prevenção e resposta. Segundo ele, as informações levantadas durante a oficina poderão inclusive provocar ajustes em medidas previstas no plano de contingência atualmente utilizado pelo município.

A participação popular é uma das características do processo conduzido em parceria com o ONU-Habitat. A analista de programas da organização, Tatiane Brasil, explicou que o trabalho não se limita ao levantamento de dados técnicos e busca incorporar a percepção da população sobre os fenômenos climáticos.

A iniciativa também deverá envolver diferentes áreas da Prefeitura, incluindo Meio Ambiente, Agricultura, Saúde, Educação e Defesa Civil. A integração entre esses setores será necessária para transformar o diagnóstico em ações capazes de alcançar diferentes áreas da administração municipal.

A parceria entre Nova Iguaçu e o ONU-Habitat foi formalizada em março, dentro do projeto Rio Inclusivo e Sustentável, conduzido pelo Governo do Estado. Nesta primeira fase, o trabalho tem duração prevista de um ano e busca apoiar os municípios na construção de respostas para os desafios provocados pelas emergências climáticas.

Com a primeira etapa de participação concluída, Nova Iguaçu passa agora à organização das informações levantadas. O objetivo é chegar a um conjunto de ações que considere as características do território e prepare o município para reduzir riscos e enfrentar de forma mais estruturada os efeitos das mudanças climáticas.

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