Quatro policiais militares do 39º BPM (Belford Roxo) foram alvos de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realizada na manhã desta terça-feira (30), por suspeita de desvio de arma apreendida e comércio ilegal de armamento. A ação faz parte de mais uma fase da Operação Patrinus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
Foram denunciados o cabo Michel Maia Rodrigues e os sargentos Marcio Pinto dos Santos, Rafael Carlos Barbosa Soares da Silva e George Santos da Silva pelos crimes de peculato e comércio ilegal de arma de fogo. Três deles foram presos durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão nos municípios de Belford Roxo e Nova Iguaçu. O quarto investigado já se encontrava preso quando a operação foi deflagrada.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPRJ, os policiais se apropriaram de uma pistola calibre 9 milímetros apreendida durante uma operação realizada em 27 de julho de 2021, na comunidade da Caixa D’Água, em Belford Roxo. Em vez de encaminhar o armamento aos procedimentos legais, o grupo teria vendido a arma por R$ 6 mil e dividido o dinheiro obtido com a negociação.
As investigações apontam que a comercialização foi comprovada por meio da análise do conteúdo do celular de um dos denunciados, além da quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça. Mensagens, fotografias, áudios e movimentações financeiras reforçaram os indícios de participação dos militares no esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam 1.033 invólucros de maconha, uma espingarda calibre 12 sem registro, simulacros de pistola, rádios transmissores e uma granada de pimenta. Todo o material foi encaminhado para perícia e dará continuidade às investigações.
Na denúncia, o Ministério Público sustenta que os acusados utilizaram as prerrogativas e a confiança inerentes ao exercício da função policial para praticar os crimes, o que agrava a conduta atribuída ao grupo.
A Operação Patrinus investiga, desde 2024, supostos desvios de conduta envolvendo policiais militares lotados no 39º BPM. Em fases anteriores da investigação, o GAESP denunciou 11 policiais acusados de receber propina de comerciantes para prestar segurança privada durante o expediente. Em agosto de 2025, outros dez militares também foram presos por suspeita de cobrar valores para garantir segurança utilizando viaturas, armamentos e uniformes da corporação.
Os mandados desta nova fase da operação foram expedidos pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar. Os denunciados responderão ao processo pelos crimes imputados pelo Ministério Público.





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