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Tudo ou nada (parte 2)

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Por: Fernando Lúcio de Oliveira
05/02/2026 às 06h00

(...) Todo mundo se cumprimentou. Nesse momento, Nando percebeu o clima descontraído e fez um sinal pra mim, piscando o olho e pegando minha mão. Senti um arrepio e sorri. Entramos na quadra e a música e a bebida animavam o ambiente. Octávio, amante de Carnaval, havia reservado os melhores camarotes para nós. Eu disse que não ligava para isso, mas confesso que a atmosfera de poder, exclusividade e luxo era muito sedutora. No fundo eu queria estar no meio do povão, Lívia também, mas olhar de cima um monte de mulher invejosa lá embaixo até que faz bem para o ego. Dançamos e bebemos champanhe à vontade. Fernando chegou mais perto e começou a me beijar. Eu estava leve, livre, solta e tinha uma expectativa muito boa daquela noite. Quando olhei para o lado, Octávio estava num canto reservado, numa cadeira confortável, com minha amiga no seu colo. Os movimentos que faziam ao se beijar revelavam uma intensidade crescente, com a saia de Lívia cobrindo parcialmente o que eu acho que estava acontecendo. As celebridades à nossa volta dançavam, bebiam, beijavam-se, faziam o mesmo que nós.

Fernando gostava de ficar abraçado, sentindo o calor do corpo. Eu me deixava levar. Estava muito relaxada. Por volta das 23:30h, Octávio chamou Fernando para conversar. Lívia veio até mim e perguntou:

- E aí, amiga, está gostando?

- Claro que sim! – Respondi –. O que mais uma mulher pode esperar de uma noite de Carnaval?

- Muuuuuiiiitaaaa coisaaaaa… – disse minha amiga, com sorriso malicioso.

Ficamos rindo sem parar e dançando até que Fernando e Octávio se aproximaram e propuseram sairmos dali para um local mais aconchegante e reservado. Eu e Lívia sabíamos que algo mais ia rolar nesse “after” e queríamos pagar para ver. Aliás, quem estava pagando mesmo pra ver era o Demônio. Ele tinha tudo preparado e sabia o que a magia do carnaval era capaz de proporcionar.

Dali fomos para um barzinho na Tijuca e encontramos um casal de amigos do Octávio, o Leomir e a Eudália. Muito à vontade, muito comunicativos. A mesa foi-se enchendo rapidamente de inúmeras garrafas de Brahma que o Leomir estava pagando. Ele não bebia Heineken, bebia Brahma mesmo. A mesa se organizou, no sentido horário, assim: Leomir na ponta, Lívia à sua esquerda. Na sequência, eu, Fernando na ponta oposta, Octávio e Eudália à direita do anfitrião. Eudália e eu observando mais. Lívia, Leomir e Octávio puxando assunto e conversando intensamente.

De repente, uma preta linda, daquelas estilo passista de escola de samba, parou discretamente ao lado do Leomir. Ela era alta, tinha um cabelo perfeitamente cheio, um corpo invejável e um bocão naturalmente lindo. Cumprimentou a todos na mesa com um sorrisso discreto, abaixou-se e perguntou algo ao Leomir. A roda de samba rolando ao vivo só deixou eu ouvir a primeira palavra da pergunta: “quem”. Leomir sorriu e respondeu-lhe algo ao ouvido. Ela fez uma expressão de surpresa, olhou para Fernando, olhou para Leomir de novo e disse, incrédula: “Nãããão!”. O brahmeiro balançou a cabeça que sim. O Demônio entendeu na hora. Ninguém mais entendeu. A mulher foi desfilando até a outra ponta da mesa, parou entre Octávio e Fernando e perguntou a este:

- Você que é o Fernando?

- Afirmativo – respondeu ele, interessado.

A preta abaixou-se, pegou no rosto dele e beijou-o intensamente. De repente, o vocalista da roda de samba puxou um coro:

- Êêêêêêêêêê!

Trocaram telefone e ela se foi. Inicialmente arregalei o olho, como quem diz: “o quê?! O que foi isso?!”. Depois, todo mundo riu. Afinal, era Carnaval e ninguém ali era comprometido com ninguém. Sem promessas, nem remorso. Não havia espaço para ciúmes bobos. Se o cara do cavaquinho, que não parava de me olhar, quisesse sair comigo, ninguém impediria. Fernando olhou para Leomir com uma cara de quem pergunta: “o que você disse a ela?!”. A resposta foi um simples abrir de braços e um sorriso malandro. Até hoje ninguém sabe o que ele disse.

Continua na próxima semana...

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