Zuri Jamba era uma menina pobre de Cunene, Angola. Era bonita no nome, no rosto e na alma. Desde criança, ajudava outras crianças quando estavam famintas, tristes ou enfermas. Não era por obrigação, era por vocação. E todos sentiam isso.
Um dia, quando tinha uns oito anos de idade, ajudou sua amiga, Aba. Ela havia pisado em um prego ao correr descalça. Zuri juntou suas forças e levou a amiga nos braços até o hospital. Daquele dia em diante, a menina se esforçou para perseguir o sonho de ser médica, um sonho quase impossível nas condições em que vivia.
Vendia artesanato e fazia pequenos serviços comunitários após a escola, para juntar dinheiro e um dia estudar medicina. Queria ajudar as pessoas, fazer a diferença, superar as dificuldades. Os médicos da cidade fizeram uma enorme campanha de crowdfunding para tonar realidade o sonho da menina.
E conseguiram. Lá estava ela, a jovem Zuri, cursando medicina na capital. Anos depois, já formada, iniciou um projeto de medicina domiciliar que viraria modelo em vários países africanos, beneficiando milhões de vidas presencial e remotamente.
Infelizmente, nada disso aconteceu, porque sua jovem mãe decidiu matá-la ainda no ventre, por meio de um aborto ilegal.